The Fool: Os loucos psicodélicos que despertaram a atenção dos Beatles

Coletivo artístico holandês responsável pelo design mais lisérgico dos anos 60.

Fool

No início, a dupla de artistas Simon Posthuma e Marijke Koger eram hippies viajantes que estabeleceram seu trabalho nas cidades de Madrid e Ibiza, na Espanha. Segundo fontes, em 1966 o fotógrafo Karl Ferris, famoso por ter registrado Jimi Hendrix, Cream, Donovan e outros, descobriu a dupla em meio a uma comunidade hippie em Ibiza. Surgiu então o convite para trabalharem em Londres e ambos toparam. Migraram da paradisíaca cidade espanhola com o objetivo de introduzir cores vibrantes no mundo cinzento de Londres.

Quando já estavam atuando na capital inglesa, acabaram chamando a atenção de John Lennon e Paul McCartney, pois já haviam desenhado roupas e capas de disco para bandas como The Hollies, Procol Harum e novamente o Cream.

Cream, com roupas e instrumentos personalizados por The Fool

Uma instalação que fizeram em sua casa (que também servia de estúdio), chamada de “Wonderwall”, despertou o interesse de John e Paul durante a visita que fizeram à Simon e Marijke. Um tempo depois esta obra inspiraria o filme Wonderwall (1968), do diretor Joe Massot, que teria o cenário também produzido pelo The Fool. “Wonderwall” teve a trilha sonora produzida por George Harrison e foi seu primeiro trabalho paralelo aos Beatles, lançado em 1º de novembro de 1968.

Pintura feita pelo grupo na Gibson SG de Eric Clapton

Marijke Koger era uma leitora de tarô, o que explica o nome para o coletivo. The Fool (que em português significa O Louco) é a carta de número zero do baralho mântico. A carta simboliza o estágio inicial da vida, um estado de completude ingênua e por isso corajosa, que segue seu caminho sem medo, desconfiança ou temendo consequências. Tudo a ver com o espírito hippie.

Um dia Marijke Koger tirou as cartas para Paul Mccartney, e pode ser que isto tenha influenciado a canção “Fool on the Hill”.

A primeira capa para “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” foi projetada pelo The Fool, que então já contava com outros artistas (Jsje Leger e Barry Finch) e agora eram propriamente um coletivo. A capa teria uma paisagem psicodélico surrealista ao estilo característico do The Fool.

Na pintura feita para a capa, haviam espaços em branco na paisagem, que seriam posteriormente preenchidos com a caricatura dos fab-four. No entanto, por razões de desagrado aos produtores da gravadora EMI, a capa foi vetada, mas a pintura permaneceu com John Lennon e, segundo fontes, está até hoje como item de seu inventário. O projeto da capa foi passado então para o artista pop inglês Peter Blake. Porém, o design da capa interna do LP continuou à encargo do The Fool, que criou uma padronagem ondulada monocromática, complementando o encarte lúdico-interativo de Blake.

Pintura que seria a capa de Sgt. Pepper’s
Parte interna de Sgt. Pepper’s

A fachada da Apple boutique, a loja-conceito dos Beatles que funcionou entre 1967 e 1968, pintada pelo coletivo, é uma obra que se configurou numa gigantesca pintura mural multicolorida que realmente altera o entorno de cores neutras. Este é um tipo de trabalho mural que antecede o graffiti como fine-art. Pena que tenha sido apagado tempo depois a mando dos sisudos dirigentes da cidade de Londres.

Apple Boutique – pintura psicodélica do grupo

Durante os anos 60 o grupo The Fool produziu vários artigos de design como roupas para bandas, capas de disco, decoração de objetos e cenários. Também lançaram o próprio disco homônimo The Fool, em 1968.

Após os anos 60, a dupla Simon Posthuma e Marijke Koger continuaram sua carreira artística por caminhos diferentes da arte psicodélica e também lançaram mais dois álbuns. Simon Posthuma recentemente lançou sua autobiografia: A Fool such as I.

Ouça o disco de 1969 do grupo:

Fonte: Whiplash

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6 comentários em “The Fool: Os loucos psicodélicos que despertaram a atenção dos Beatles

  1. It’s amaising all this history,George Harrison as always was good in everything he did,like produce was so wanderfoul as singer and playing guitar.Great.

  2. Convenhamos, os anos 60 foram incríveis, não?
    Eu, particularmente achei que o design da capa deles combinaria melhor com o psicodelismo de “Sgt. Pepper”.

    O som também é uma viagem.

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